Foram 4.132 emplacamentos em setembro de 2026, segundo a ABVE. É uma queda de 38,7% sobre agosto, mas o BYD Dolphin segue firme como segundo elétrico mais vendido do Brasil, atrás apenas do irmão menor, o Dolphin Mini. Somados, os dois responderam por mais de 60% dos elétricos emplacados no mês.

O Dolphin de 2026 não é mais um carro só. Desde abril, a família tem três degraus bem distintos: a GS de entrada, a Special Edition (SE) com motor mais forte e visual novo, e a Plus de bateria grande. Na linha 2027, a SE custa R$ 24 mil a mais que a GS, e os números mostram que a versão mais cara nem sempre é a melhor compra.

Esta é uma análise baseada em fichas técnicas oficiais, preços e testes publicados por outros veículos. Não dirigimos o carro.

Versões e preços do BYD Dolphin

Versão Preço Potência Bateria Autonomia (Inmetro)
Dolphin GS R$ 149.990 95 cv 44,9 kWh 291 km
Dolphin SE R$ 173.990 177 cv 45,12 kWh 272 km
Dolphin Plus R$ 184.800* 204 cv 60,48 kWh 330 km

Preços de GS e SE conforme Webmotors (outubro de 2026). A SE foi lançada em abril por R$ 159.990 e já passou por dois reajustes, o último em 5 de outubro. *A Plus não consta da linha 2027 no catálogo da Webmotors; o valor é o último publicado, pelo Vrum, em julho de 2026. Consulte a disponibilidade na concessionária.

A SE é o caso curioso. Ela custa R$ 24 mil a mais que a GS, tem quase o dobro da potência e ADAS de nível 2 completo, mas faz 19 km a menos pelo Inmetro. A explicação está no consumo: 0,49 MJ/km contra 0,42 MJ/km da GS, efeito de motor mais forte, rodas aro 17 e carro 80 kg mais pesado.

FICHA TÉCNICA: BYD DOLPHIN

  • Motor: elétrico dianteiro; 95 cv e 180 Nm (GS), 177 cv e 290 Nm (SE), 204 cv e 310 Nm (Plus)
  • Bateria: Blade (LFP); 44,9 kWh (GS), 45,12 kWh (SE), 60,48 kWh (Plus)
  • Autonomia PBEV/Inmetro: 291 km (GS), 272 km (SE), 330 km (Plus)
  • Consumo homologado: 0,42 MJ/km (GS), 0,49 MJ/km (SE), 0,51 MJ/km (Plus)
  • Recarga AC: 6,6 kW (GS e SE), 11 kW (Plus)
  • Recarga DC: 60 kW (GS), 80 kW (SE e Plus)
  • 0 a 100 km/h: 10,9 s (GS), 8 s (SE), 7 s (Plus)
  • Comprimento: 4,13 m (GS), 4,28 m (SE), 4,29 m (Plus); entre-eixos de 2,70 m em todas
  • Porta-malas: 250 litros (GS e SE), 345 litros (Plus)
  • Suspensão traseira: eixo de torção (GS), multilink (SE e Plus)
  • Garantia: 6 anos ou 200.000 km (veículo, uso particular); 8 anos ou 200.000 km (bateria)

Fonte: fichas técnicas oficiais BYD Brasil, julho de 2026.

O que cada versão entrega

GS. É o Dolphin original com pacote reforçado. Traz multimídia giratória de 12,8 polegadas, câmera 360 graus, carregador por indução, ar digital de duas zonas e banco do motorista elétrico, segundo a ficha da BYD. O pacote de segurança é o ADAS 1: controle de estabilidade, cruzeiro e freio de estacionamento eletrônico, sem frenagem autônoma.

SE. Lançada em 7 de abril de 2026, ganhou faróis afilados, para-choques novos, painel digital de 8,8 polegadas, multimídia flutuante com Google integrado, carregador de celular de 50 W e seletor de marchas na coluna de direção. O principal argumento é o ADAS 2: cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, manutenção em faixa e monitor de ponto cego. Também troca o eixo de torção por suspensão traseira multilink.

Plus. Bateria de 60,48 kWh, teto panorâmico, bancos com aquecimento, recarga AC de 11 kW e porta-malas de 345 litros, quase 100 litros a mais que GS e SE.

BYD Dolphin GS, hatch elétrico, em vista lateral de três quartos O Dolphin GS segue como porta de entrada da família. Divulgação/BYD

Autonomia, recarga e custo por km do Dolphin

A GS é a mais eficiente da família e, por isso, a que vai mais longe por real investido: 291 km por R$ 149.990. Na recarga rápida, porém, ela aceita 60 kW, contra 80 kW das outras duas. A BYD declara 30% a 80% em cerca de 20 minutos na SE.

Custo por km (estimativa). Convertendo o consumo homologado (1 kWh = 3,6 MJ) e com a tarifa de referência de R$ 1,05/kWh com impostos (estimativa do Eletrificado a partir da tarifa residencial da Enel SP e dos tributos; veja a metodologia):

Versão Consumo Custo por km Custo por 1.000 km
GS 0,117 kWh/km R$ 0,12 R$ 123
SE 0,136 kWh/km R$ 0,14 R$ 143
Plus 0,142 kWh/km R$ 0,15 R$ 149

Valores ilustrativos; a tarifa real depende da distribuidora e da bandeira. Detalhes em quanto custa carregar um carro elétrico em casa e na nossa calculadora de custo por km.

O que dizem os testes publicados

A avaliação mais recente disponível é da SE, publicada pela Auto+ TV em julho de 2026. O avaliador elogiou o acerto da suspensão multilink, a direção precisa, o isolamento acústico e o conforto dos bancos ventilados, e classificou a versão como a melhor do Dolphin até aqui. Entre as ressalvas, citou a ausência de espelhamento do Android Auto e a perda da tela giratória. No modo Sport, segundo o texto, a dianteira pode escorregar se o motorista exagerar no acelerador.

Segurança

A Dolphin Plus recebeu cinco estrelas do Latin NCAP em dezembro de 2024, com 92,60% em proteção de adultos, 93,17% em crianças, 77,03% em pedestres e 85,17% em assistência à segurança, segundo a BYD. Foi o primeiro elétrico a obter a nota máxima no protocolo. GS e SE não têm nota própria.

Dolphin contra os rivais

O rival que mais cresce é o GAC Aion UT, quarto elétrico do país em setembro com 1.470 unidades. A versão Premium tem preço sugerido de R$ 139.990 e já traz 204 cv; a Elite, R$ 159.990, soma bateria de 60 kWh e 310 km pelo Inmetro. No papel, a Elite entrega a potência e quase a autonomia da Plus, e custa R$ 14 mil a menos que a SE. O Dolphin responde com consumo menor, rede maior e carro na loja: em outubro, a própria GAC informava estoque esgotado do Aion UT nas vendas diretas. Destrinchamos o duelo em BYD Dolphin x GAC Aion UT.

Para quem quer gastar menos, o Dolphin Mini custa R$ 30 mil a menos que a GS, com 11 km a menos de autonomia e muito menos espaço.

Veredito: BYD Dolphin

Para quem é: a GS, para quem quer o hatch elétrico mais racional da BYD, com espaço de carro médio no banco traseiro e custo por km de R$ 0,12 (estimativa). A SE, para quem roda em rodovia e quer ADAS 2 e fôlego para ultrapassar.

Para quem não é: quem precisa de porta-malas (GS e SE têm só 250 litros) ou quem quer a maior autonomia possível por real. Nesse caso, a conta favorece a GS ou um rival.

Pontos fortes

  • GS: 291 km de autonomia e 0,42 MJ/km por R$ 149.990
  • SE: 177 cv, ADAS 2 e suspensão traseira multilink
  • Plus com cinco estrelas no Latin NCAP
  • Garantia de 8 anos para a bateria

Pontos fracos

  • Porta-malas de 250 litros na GS e na SE
  • SE faz menos km que a GS e já subiu R$ 14 mil desde o lançamento
  • GS sem frenagem autônoma de emergência
  • Recarga AC de 6,6 kW na GS e na SE

Fontes