O Brasil levou dez anos para vender seus primeiros 100 mil carros eletrificados. Os últimos 250 mil vieram em quatro meses. Com 53.126 emplacamentos em setembro de 2026, o acumulado desde 2012 chegou a 1.003.310 unidades, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

A conta inclui elétricos a bateria (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos plenos (HEV e HEV flex). Micro-híbridos ficam de fora. E o dado mais revelador não é o milhão em si: 381.609 desses carros, ou 38% do total da série, foram vendidos de janeiro a setembro deste ano.

Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, a eletrificação virou "a realidade do presente". Os números dão razão a ele.

Setembro: menos que agosto, muito mais que 2025

Setembro recuou 7,4% sobre agosto, que segue como recorde histórico (57.386 unidades). Ainda assim, foi o terceiro maior mês da série e cresceu 148,9% sobre setembro de 2025 (21.342). A participação no mercado de leves ficou em 19,8%, contra 21,8% em agosto e 9,2% um ano antes. Na prática, um em cada cinco carros novos vendidos no mês tinha algum motor elétrico.

Tecnologia Setembro/26 Participação x agosto/26 x setembro/25
Elétrico (BEV) 22.246 41,9% -18,1% +172,3%
Híbrido plug-in (PHEV) 20.202 38,0% -1,6% +146,5%
Híbrido flex (HEV flex) 5.786 10,9% +10,4% +101,8%
Híbrido pleno (HEV) 4.892 9,2% +10,1% +131,6%
Total 53.126 100% -7,4% +148,9%

Fonte: ABVE, outubro de 2026.

A queda do mês veio quase toda dos elétricos puros, que perderam quase 5 mil unidades sobre agosto. Os híbridos sem tomada foram na direção contrária: HEV flex e HEV cresceram cerca de 10% cada. Os micro-híbridos (MHEV), contados à parte, somaram 8.869 unidades. Quem quer entender a diferença entre essas siglas tem o nosso guia de tipos de carro eletrificado.

BYD Song Pro azul, vista dianteira de três quartos, em estúdio de fundo claro Híbridos plug-in como o BYD Song Pro responderam por 38% dos eletrificados de setembro. Divulgação/BYD

Do primeiro carro ao milhão: a aceleração em números

A série da ABVE começa em 2012, com 117 carros. O salto recente é visível em cada marco:

Marco acumulado Quando foi atingido
100 mil julho de 2022
250 mil março de 2024
500 mil julho de 2025
750 mil maio de 2026
1 milhão setembro de 2026

Fonte: ABVE.

Somados, 2024, 2025 e os nove primeiros meses de 2026 respondem por 782.879 unidades, ou 78% de tudo o que já foi vendido. Os nove meses de 2026 já superam com folga o ano inteiro de 2025 (223.912).

Onde estão os compradores

São Paulo liderou setembro com 14.250 eletrificados (26,8% do total), seguido por Minas Gerais (4.346), Distrito Federal (4.158), Paraná (3.403) e Rio de Janeiro (3.166). Entre as cidades, a capital paulista emplacou 5.240 unidades, à frente de Brasília (4.158) e Belo Horizonte (2.451).

O Sudeste concentrou 43,5% das vendas. O Nordeste veio em segundo, com 20,8%. O Norte foi a única região que cresceu sobre agosto (+3,6%).

O que a ABVE projeta para 2026 e 2027

No seminário de eletrificação da AutoData, em 20 de outubro, Bastos projetou cerca de 508 mil eletrificados em 2026, mais que o dobro de 2025. Para 2027, a entidade fala em 30% do mercado de leves, algo perto de 900 mil unidades se o mercado total ficar em torno de 3 milhões. Segundo Bastos, a ABVE esperava esse patamar só por volta de 2030.

Pela nossa conta, chegar a 508 mil exige uma média de cerca de 42 mil emplacamentos por mês de outubro a dezembro. É menos do que setembro entregou. Ou seja: a meta parece conservadora, desde que nada mude no caminho (estimativa do Eletrificado, com dados da ABVE).

O que isso significa para você

Mais volume quer dizer mais oferta e mais disputa por preço. Segundo Bastos, havia 403 modelos eletrificados de 66 marcas à venda até setembro, alguns abaixo de R$ 100 mil. A rede de recarga acompanhou: são pelo menos 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo levantamento da Tupi Mobilidade divulgado pela ABVE.

Para quem está na dúvida, o próximo passo é olhar o ranking. Veja os elétricos mais vendidos de setembro e os híbridos que lideraram o mês. E antes de fechar negócio, simule o gasto real na nossa calculadora de custo por km.

Fontes