O Move Brasil financiou 65,8 mil carros de taxistas e motoristas de aplicativo até 26 de outubro de 2026, com juros de até 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. Quem tem 6 meses e 100 corridas na mesma plataforma pode financiar um carro novo de até R$ 200 mil em até 84 parcelas, e pelo menos 19 versões elétricas e híbridas da lista oficial têm preço de tabela abaixo desse teto.

Um elétrico de R$ 120 mil sem entrada sairia por cerca de R$ 2.114 por mês na taxa máxima, pela nossa estimativa (explicada abaixo). Não é valor oficial: quem aprova o crédito e define a parcela final é o banco. E o programa contratou só R$ 6,9 bilhões dos R$ 30 bilhões: tem dinheiro, mas muita gente trava no caminho.

O que é o Move Brasil e quem pode pedir

O Move Brasil (Táxi e Aplicativos) é uma linha de crédito do BNDES, operada por bancos credenciados, para comprar carro novo. Nasceu por medida provisória em 19 de maio de 2026, com até R$ 30 bilhões, e virou lei permanente em 14 de setembro.

MOVE BRASIL PARA MOTORISTA DE APP (OUTUBRO DE 2026)

  • Quem pode: cadastro ativo há pelo menos 6 meses na mesma plataforma e pelo menos 100 corridas nesse período, contados até a data do cadastro no gov.br
  • Carro: novo, de até R$ 200 mil no valor da nota fiscal (já com descontos), a etanol, flex, elétrico ou híbrido, e presente na lista oficial do MDIC
  • Juros: até 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, com spread e tarifas incluídos (até 0,99% e 0,91% ao mês, segundo o FAQ do MDIC)
  • Prazo: até 84 parcelas, com carência de até 6 meses para começar a pagar o principal
  • Garantia: o fundo FGI cobre 80% da operação (isso protege o banco, não garante a aprovação)
  • Limite: um carro por CPF; pessoa jurídica não participa

No lançamento, em maio, a regra pedia 12 meses de plataforma e o teto era de R$ 150 mil. O teto subiu para R$ 200 mil em agosto, e a lei de setembro fixou o mínimo de 6 meses. Quem foi barrado pela regra antiga pode pedir de novo, segundo o MDIC.

Passo a passo no gov.br

  1. Cadastre-se com a sua conta gov.br no sistema do programa (o atalho é gov.br/movebrasil). Ao entrar, você autoriza o governo a checar seus dados com a plataforma.
  2. Espere a resposta. O resultado da elegibilidade sai em até 10 dias úteis. Se ficar "em análise", não cancele nem refaça o pedido.
  3. Escolha o carro na lista oficial. A lista de bens financiáveis do MDIC traz montadora, modelo e versão. Se a versão não está lá, não entra.
  4. Vá a um banco credenciado ou à concessionária. O banco faz a análise de crédito, decide se aprova e define taxa (até o teto), entrada, prazo e carência dentro das regras.
  5. Confira a nota fiscal. O valor final, já com desconto, precisa ficar em até R$ 200 mil.

O cadastro só vale pelo gov.br, alerta o MDIC. Desconfie de quem cobra para "liberar" o crédito.

Bancos. Até 31 de julho, operavam a linha Banco do Brasil, Caixa, Santander, Banrisul, Banestes, Sicoob, Sicredi, Ailos, Badespi e os bancos de montadora de GM, RCI, Stellantis, Volkswagen, Renault e Hyundai, segundo a AutoData. A lista oficial e atualizada é a do BNDES; confira lá antes de ir ao banco. Bradesco e Itaú disseram que não participariam, segundo A Tarde. Não encontramos simulador oficial do governo; bancos como o Santander têm o seu.

Quais elétricos e híbridos cabem no teto de R$ 200 mil

Cruzamos a lista oficial do MDIC (atualizada em 5 de outubro de 2026 e conferida em 29 de outubro) com os preços de tabela. A lista vale por versão, não por modelo.

Carro (versão na lista oficial) Tipo Preço de tabela Fonte do preço
BYD Dolphin Mini GL Elétrico R$ 118.990 Vrum, 13/10/2026
Geely EX2 Pro Elétrico R$ 124.600 Geely, 29/10/2026
Geely EX2 Max Elétrico R$ 137.800 Geely, 29/10/2026
GAC Aion UT Premium Elétrico R$ 139.990 GAC, outubro/2026
BYD Dolphin GS Elétrico R$ 149.990 BYD, outubro/2026
BYD Atto 2 DM-i GL Híbrido plug-in flex R$ 149.990 Quatro Rodas, 02/10/2026
Chevrolet Spark EUV Activ Elétrico R$ 152.790 Chevrolet, 29/10/2026
GAC Aion UT Elite Elétrico R$ 159.990 GAC, outubro/2026
GWM Ora 03 BEV58 Elétrico R$ 169.000 GWM, 29/10/2026
GAC Aion ES Plus Elétrico R$ 170.990 GAC, outubro/2026
Toyota Yaris Cross XRE Hybrid Híbrido flex R$ 172.390 Toyota, tabela de outubro/2026
BYD King GL Híbrido plug-in R$ 172.990 Vrum, 30/09/2026
GAC Aion Y Premium Elétrico R$ 175.990 GAC, outubro/2026
Leapmotor B10 (elétrico) Elétrico R$ 182.990 CNN Brasil, 21/10/2026
GAC Aion Y Elite Elétrico R$ 187.990 GAC, outubro/2026
Toyota Yaris Cross XRX Hybrid Híbrido flex R$ 189.990 Toyota, tabela de outubro/2026
Geely EX5 EM-i Pro Híbrido plug-in R$ 191.460 Geely, 29/10/2026
GAC GS4 Premium Híbrido R$ 191.990 GAC, outubro/2026
BYD Song Pro Flex GL Híbrido plug-in flex R$ 196.990 Auto+ TV, 08/10/2026

A lista também traz outros híbridos (como BYD King GS, Song Pro a gasolina, Corolla sedã GLi híbrido, Kona híbrido e Leapmotor C10 REEV) e híbridos leves flex de Fiat, Jeep e Peugeot, cujos preços não conferimos. Preço de tabela não é preço de nota: em outubro de 2026, a BYD anunciava no próprio site o Dolphin Mini GL por R$ 109.990 e o King GL por R$ 147.990, em condições válidas até 31/10.

Três detalhes que pegam muita gente:

  • Versão fora da lista. O Dolphin Mini GS, o Song Pro Flex GS e o Leapmotor B10 REEV não aparecem na lista de 5 de outubro. Corolla Cross híbrido (só as versões flex estão lá), MG4 e JAC E-JS1 também não.
  • Fora de estoque. O Aion UT está na lista, mas a GAC informava em outubro que as duas versões estavam esgotadas, sem previsão de reposição. Para motorista elegível, a marca anunciava o Aion Y Premium por R$ 163.670 e o Aion Y Elite por R$ 174.830 até 31/10.
  • Tabela acima do teto. Chevrolet Captiva EV e Leapmotor C10 elétrico estão na lista, mas custam mais de R$ 200 mil de tabela. Só entram se o desconto levar a nota fiscal abaixo do teto.
  • Preço para motorista. A Geely anuncia o EX2 Pro por R$ 118.370 e o EX5 EM-i Pro por R$ 176.171 para motorista de app. Mas as páginas de BYD, Geely e Nissan ainda citam regras antigas (12 meses e teto de R$ 150 mil): confirme na concessionária.

Para comparar os elétricos mais em conta, veja a lista dos carros elétricos mais baratos do Brasil.

Quanto fica a parcela (estimativa)

Os números abaixo são uma estimativa nossa, não uma simulação oficial. Usamos a taxa máxima do programa e a tabela Price, a mesma do financiamento de carro comum. A taxa anual vira mensal assim: (1 + taxa anual) elevado a 1/12, menos 1. Dá 0,994% ao mês para 12,6% ao ano e 0,911% para 11,5% (o MDIC arredonda para 0,99% e 0,91%).

Parcela = valor financiado × i ÷ [1 - (1 + i) elevado a -84], em que i é a taxa mensal.

Carro Entrada Valor financiado Parcela (homem, 12,6%) Parcela (mulher, 11,5%) Total pago (homem)
R$ 120 mil Sem entrada R$ 120.000 R$ 2.114 R$ 2.051 R$ 177.541
R$ 120 mil 20% (R$ 24.000) R$ 96.000 R$ 1.691 R$ 1.640 R$ 142.033
R$ 150 mil Sem entrada R$ 150.000 R$ 2.642 R$ 2.563 R$ 221.926
R$ 150 mil 20% (R$ 30.000) R$ 120.000 R$ 2.114 R$ 2.051 R$ 177.541

Valores ilustrativos, 84 parcelas, sem carência. Seguro prestamista, IOF e tarifas mudam o número do banco. A carência também custa: se os juros de 6 meses forem somados à dívida, os R$ 120 mil viram cerca de R$ 127.336 e a parcela sobe para cerca de R$ 2.243 em 84 vezes (estimativa). As regras não dizem se a carência fica dentro ou fora das 84 parcelas; se ficar dentro, sobram 78 parcelas de cerca de R$ 2.354. O banco aprova ou recusa o crédito e define a parcela final.

Para comparar: na campanha de outubro de 2026, o financiamento comum da BYD cobrava de 1,41% a 1,50% ao mês, segundo a própria marca. Com 1,50% ao mês, R$ 120 mil em 84 vezes dariam R$ 2.522 por mês, cerca de R$ 408 a mais que no Move Brasil.

A parcela cabe no orçamento do motorista?

A energia ajuda a pagar o carro. Na nossa conta de custo por km, com tarifa residencial em São Paulo, um elétrico compacto gasta cerca de R$ 120 a cada 1.000 km, contra R$ 447 de um hatch 1.0 a gasolina. Para quem roda 5.000 km por mês, são cerca de R$ 600 contra R$ 2.235 (estimativa). A diferença de R$ 1.635 cobre boa parte da parcela de um carro de R$ 120 mil.

Recarga rápida na rua custa bem mais por kWh que a tomada de casa. Veja a tarifa da sua cidade no guia quanto custa carregar o carro elétrico em casa. E some o seguro: veja quanto custa o seguro de carro elétrico.

Por que tanta gente não consegue usar

O governo esperava mais de 200 mil carros, segundo o presidente do BNDES no lançamento. Até 26 de outubro, eram 65,8 mil carros e R$ 6,9 bilhões contratados, cerca de 23% do total, com base em dados do BNDES publicados pela Folhapress. Isso dá cerca de R$ 105 mil por carro (conta nossa).

Os motivos citados por representantes do governo em agosto:

  • Crédito recusado. Elegível no gov.br não quer dizer aprovado. O banco olha histórico, renda e capacidade de pagamento.
  • Poucos bancos privados. A maior parte das operações passa por bancos públicos, cooperativas e bancos de montadora.
  • Falha de comunicação com os motoristas.

Outro tropeço: se o relatório de corridas chegar errado, a plataforma precisa reenviar os dados, diz o FAQ do MDIC. E 25,4% dos motoristas dirigem carro alugado, segundo a GigU: para eles, a conta é parcela contra aluguel.

Mesmo assim, o elétrico pegou. No Banco do Brasil, maior operador da linha, 54% do financiamento de carros para táxi e aplicativo foi para elétricos.

O que o Move Brasil não cobre

  • Carro usado ou seminovo. Só carro novo.
  • Carro acima de R$ 200 mil na nota fiscal, mesmo que esteja na lista.
  • Modelo ou versão fora da lista oficial, inclusive carros só a gasolina sem sistema híbrido.
  • Segundo carro no mesmo CPF e compra no CNPJ.
  • Seguro, IPVA, emplacamento e energia.

Dicas antes de assinar

  • Peça a simulação em pelo menos dois bancos e compare o Custo Efetivo Total (CET), não só a taxa.
  • Confira a versão exata na lista oficial antes de negociar.
  • Leia as condições de campanha. Na BYD, os bônus de troca de outubro em modelos como Seal e Song Plus excluíam motoristas de aplicativo.
  • Some parcela, energia e seguro e compare com o seu gasto mensal atual.

Fontes